19 de ago de 2005

Vida

"Fui para os bosques para viver livremente, para sugar o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morrer, não descobrir que não vivi."

Thoreau

17 de ago de 2005

Querido Diário

Eu tenho os meus segredos. Alguns são secretos demais para pensar.
Acho que não existe e nem vai existir alguém capaz de sabê-los todos, entendê-los, realizá-los...

Tenho minhas novidades também, mas algumas pessoas já conseguem expor a minha vida o suficiente para eu não ter a mínima vontade de contá-las aqui.

O meu recado não é nada sentimental. A intensão não é parecer revoltada, saudosista, fútil, muito menos melancólica. Apenas tomei algumas decisões, e pra ser sincera, mal sei porquê escrevi isso aqui!

"Não vou mais falar de amor
De dor, de coração, de ilusão
Não vou mais falar de sol
Do mar, da rua, da lua ou da solidão

(...)

Meu vício agora...
É o passar do tempo
Meu vício agora...
Movimento, é o vento, é voar...é voar

Não vou mais verter
Lágrimas baratas sem nenhum porquê
Não vou mais vender
Melôs manjadas de Karaokê

E mesmo assim fica interessante
Não ser o avesso do que eu era antes
De agora em diante ficarei assim...
Desedificante
"

("Meu vício agora" - Kid Abelha)

Dá um tempo!

16 de ago de 2005

O Jogador



"Saio do cassino, olho...um florim* vagava ainda no bolso de meu colete: "Ah, ainda me resta com o que jantar!", disse a mim mesmo, mas, antes de dar uma centena de passos, mudei de idéia e retornei. Coloquei o florim sobre manque e, na verdade, experimenta-se uma sensação particular quando, só, num país estrangeiro, longe de sua pátria, de seus amigos, sem saber o que se irá comer naquele dia, arriscamos nosso último florim, o último, o último! Ganhei e, vinte minutos mais tarde, saí do cassino com cento e setenta florins no bolso. Eis o que pode significar o último florim. E se eu me deixasse abater, se não tivesse tido a coragem de tomar aquela decisão?..."

(Alexis Ivanovitch em "O Jogador" de Feódor Mikhailovich Dostoiévski)

Empolgante! Como pode um homem arriscar o próprio destino à roleta? Eu, que sempre me deixo envolver, ri, senti raiva, e só não chorei porque ele não é muito sensível, e porque eu detesto cassino. Apesar disso, todas as apostas de Alexis Ivanovitch são emocionantes e interessantes.

É uma pena que tive de lê-las com as VÁRIAS interrupções do meu instrumento de trabalho (que, por ironia, eu amava tanto): o telefone!

Recomendo e empresto depois que me devolverem os outros! =P

* Florin: moeda de prata ou de ouro em vários países; unidade monetária da Holanda e da Hungria.

15 de ago de 2005

Agora só falta você



"Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê"

(Composição de Rita Lee e Luiz Sérgio, cantada pela maravilhosa voz da Maria Rita).

>> Fotolog atualizado.

11 de ago de 2005

Quase...



(de Luís Fernando Veríssimo)

"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

10 de ago de 2005

O Poeta

O Poeta é um tradutor da alma humana, e como tal, deixa fluir de si mesmo tudo o que sente de forma tão peculiar. Tão imensa é a carga emotiva a ser extravasada e assim o Poeta o faz.

Um poeta vive a poesia e a transmite no olhar, em palavras, em gestos. É coisa vivida dia após dia, absorvida pelos admiradores diretos e indiretos que o rodeiam. Não uma absorção efêmera, mas uma indicação de que nem toda poesia é colocada em palavras escritas.

Poesia é a vida. Poeta é o coração.

8 de ago de 2005

Um quê de poesia

"Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos. A raça humana está repleta de paixão...e medicina, advocacia, administração e engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo.
Mas...a poesia, a beleza, o romance, o amor...é para isso que vivemos!
Citando o Whitman: "Ó, eu! Ó, vida! Entre as questões que reaparecem, os trens desesperançosos, cidades cheias de tolos. O que há de bom entre eles, ó, eu? Ó, vida! Resposta: Estar aqui. A vida existe e a identidade...essa brincadeira continua e você pode contribuir com um verso." Essa brincadeira continua e você pode contribuir com um verso. Qual será o verso de vocês?"

(Fala de John Keating (Robin Williams) no maravilhoso filme "Sociedade dos Poetas Mortos")

3 de ago de 2005

Querido Diário



O que é novo sempre me assusta, e o que é velho me trás segurança. Deve ser por isso que me apego tanto às fases passageiras da vida.

Esta é a última vez que olho para esse relógio da parede e o vejo marcar 17:25. Daqui 5 minutos será a última vez que eu desligo este computador e digo "vamos?".

Isso me faria chorar um pouco, mas não faz. Uma pessoa me ensinou que quando as coisas em nossa vida mudam não precisam necessariamente ter um "grand finale". Eu não preciso mais de um último abraço, nem de um último café.

Embora eu ainda dê valor para o "encerramento", eu apredi a lição, e sei que todas as lembranças ficam guardadas, não apenas a última. Além do mais, o que ficou pra trás, ficou. É assim que penso.

Conclusão: hoje foi só mais um dia comum de trabalho! Especial, mas comum!

Agora estou chorando.

2 de ago de 2005

Pra te lembrar



"Que é que eu vou fazer pra te esquecer?
Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim
Cada sonho teu me abraça ao acordar
Como um anjo lindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus vai apagar.

Que é que eu vou fazer pra te deixar?
Sempre que eu apresso o passo, passas por mim
E um silêncio teu me pede pra voltar
Ao te ver seguindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar.

Que é que eu vou fazer pra te lembrar?
Como tantos que eu conheço e esqueço de amar
Em que espelho teu, sou eu que vou estar?
A te ver sorrindo
Mais leve que o ar
Tão doce de olhar
Que nenhum adeus pode apagar."


(de Nei Lisboa, cantada por Caetano Veloso. "Pra te lembrar" está na excelente trilha sonora do filme "Meu tio matou um cara".)

1 de ago de 2005

Conclusão do dia:

Inércia não combina com a vida!

Carta do Adeus



“É estranho pensar em você depois de tudo que aconteceu, principalmente agora que estamos com vidas totalmente diferentes e várias coisas importantes aconteceram. Quando eu olho pra trás e vejo tudo que aconteceu conosco, eu chego a conclusão de que na verdade não perdemos um ao outro, apenas nos distanciamos. Você está dentro do meu coração naquele mesmo lugar que eu reservei no dia que te conheci, e esse lugar cresceu, cresceu e tomou a proporção do que eu sentia por você. E penso que você sente o mesmo, pois em todas as vezes que nos encontramos, sempre levamos aquele susto e temos aquele frio na barriga de adolescentes que viram a esquina e dão de cara com o grande amor.

(...) Foi uma época ótima, e eu errei por pensar que seria para sempre. Claro que era o que eu queria, mas se eu não tivesse agido como se fosse pra sempre, as coisas seriam completamente diferentes, pois eu faria o triplo das coisas que eu fazia para te conquistar todos os dias cada vez mais. E faria poemas mais bonitos do que fazia, e plagiaria os que achava bonitos e diria que eram meus. Eu tenho você e você me tem, mas nos temos na lembrança do que passamos e conseguimos deixar isso real da maneira que queremos e quando queremos, e nunca precisamos inventar ou simular nenhuma situação, apenas lembrar das melhores coisas que fizemos. Lembrar da liberdade que você tinha sobre meu corpo, lembrar de como doía saber que tínhamos discutido (...).

Só que eu deixei debaixo da sua cama toda minha identidade, meus anseios, minhas promessas, meus sonhos, para que você, ao dormir, sentisse toda essa energia e lembrasse de mim com o mesmo carinho que eu lembro de você, apesar de tudo...
Aquele poema está fixado na minha mente como um mantra, e a cada segundo que lembro dele, um turbilhão de imagens suas passa pela minha cabeça e me dá aquele bom e velho frio na barriga e aquela irreparável dor da saudade e da tristeza de não ter você por perto, dormindo com aquele travesseiro que eu roubava para sentir seu perfume. E esse amor mudou de nome, ele agora se chama "respeito, admiração e saudades", e reside no mesmo lugar onde você o deixou para seguir a vida que você planejava (...).

Mesmo sabendo da nossa distância, tenho você no coração e espero que um dia possamos ter de volta a base de tudo que tivemos: uma grande amizade e uma cumplicidade sem tamanho.”


*** A "Carta do Adeus" foi escrita por Luiz Guilherme Amaral e postei alguns trechos aqui por ter achado linda a maneira de "simplesmente" dizer adeus com tanto amor. Ele foi "apresentado" a mim pelo meu saudoso professor de Filosofia!! =)

Luiz Guilherme Amaral é estudante de Comunicação Social da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação - ESAMC em Sorocaba (SP). Reside em Mairinque, interior de São Paulo e além de escrever, também realiza trabalhos na área de Comunicação Social como locutor e redator. Apaixonado pela música tal como pelas palavras, é baterista desde os 15 anos de idade, tocando música popular brasileira esporadicamente em bares e restaurantes e lecionando aulas sobre o instrumento.

Colabora com o site www.opiniaoeinformacao.com.br e suas poesias e crônicas são publicadas no www.poesiaeprosa.blogspot.com e no www.queroserombudsman.blogspot.com.