9 de ago de 2007

Uso preferencial?

Cidadão que é cidadão sabe: assento cinza (no caso do metrô) e amarelo (no caso do ônibus) são especialmente reservados para gestantes, deficientes físicos, idosos e pessoas com crianças de colo. Em partes, é claro. Afinal, o "jeitinho brasileiro" presente no dia-a-dia não permite que essas "leis" funcionem perfeitamente. Seja como for, é fato que no metrô o assento cinza é muito mais respeitado que o assento amarelo do ônibus. Talvez porque o do ônibus não se destaque tanto por ter apenas um detalhe em amarelo, ao contrário do metrô, que é por inteiro cinza. Cores à parte, eu estou revoltada. Como eu acabei de dizer, as pessoas respeitam o assento, o banco em si, quando quem deveria ser respeitado são as pessoas debilitadas por algum motivo que a lei "tenta" especificar. Não há um dia sequer que eu não repare nisso. Quando o trem está lotado e só há o banco cinza livre, as pessoas ficam de pé, mesmo que em frente ao banco. É claro que sempre tem alguém que se senta ali, mas o receio logo estampa na testa: "se chegar alguém eu me levanto" - salvo aqueles que se sentam e ignoram, como se vivessem num mundo à parte. Agora, eu pergunto: se o banco que estivesse ali, livre como o cinza, fosse o padrão (marrom), as pessoas ficariam de pé em frente a ele? Ou o indivíduo sortudo que conseguiu sentar, sentiria-se mal como se estivesse no banco cinza? Não. Mas, como não? Como? Não importa se estou no banco cinza, marrom, roxo ou amarelo. Se eu estou ao lado de alguém debilitado, com alguma dificuldade para manter-se de pé, a minha obrigação como ser humano é colaborar com o bem-estar dele. Que hipocrisia a nossa! "Porque é cinza, eu não me sento. Deixo para os velhinhos." Quanta bondade! Já vi gente pular do banco cinza para o marrom, quando este desocupou. Já vi até homem moço discutir com uma senhora idosa que estava no banco preferencial e se deslocou para o banco padrão, quando um passageiro se levantou. O homem disse: "Senhora, a senhora está desperdiçando um lugar". Ela respondeu: "Acontece, meu filho, que se eu ficar no cinza, vou ter que me levantar". Quem é pior? O que se sentiu com um lugar a menos ou a que se livrou de qualquer obrigação de doar o lugar e ser solidária simplesmente pela cor do banco no qual se sentou? Sim, eu me decepciono com isso. Infelizmente, existe "jeitinho brasileiro" até para ser bondoso.

Um comentário:

Carlos Plaza disse...

Será que o problema está em se ter obrigações demais? É melhor se sentar no banco de "cor normal", menos um problema para o dia! Vivemos num mundo livre, posso me levantar se eu quiser! Não estou sentado no banco marcado, não estou fazendo nada de errado! É, nova amiga, os valores não são mais os mesmos e ter como "obrigação" se importar com outro ser humano não é lei, ninguém cobra multas por isso. O bem estar dos outros é bom, quando é lucrativo ou até mesmo quando não me atrapalha. Assim é o mundo de hoje, e assim ele segue caminhando para o fim. Temos, todos, que tomar cuidado, até mesmo fazer força para não sermos influenciados, ou em breve nem saberemos mais o que fazemos de coração e não por obrigação.